quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Blog 'Infinito Oracular'

Olá, pessoas.

Hoje vim apresentar meu novo espaço para assuntos oraculares, o blog Infinito Oracular. Este blog vem também como uma página profissional e, portanto, todos os textos e blogagens sobre oráculos e afins serão redirecionados e postados neste endereço.

É um espaço para os oráculos que estudo, minha visão sobre eles num local para falar sobre tudo o que se relaciona sobre estas "janelas para o infinito". A proposta é de estudar e expor os símbolos, a estrutura, a filosofia e a história dos oráculos. Será um espelho para promover interações, promover atualizações e muito mais.

O limite de leitura oracular é demarcado pela capacidade de interconexão de dados do oraculista. Isso se ampliará através do estudo de sua simbologia, de sua história e das conexões possíveis que arquivamos em nossa biblioteca particular. Ao meu ver, não se pode fugir da matriz simbólica, nem tampouco se limitar a ela.

Vamos, então, ampliar conhecimento?
Sejam bem vindos ao meu novo espaço!


http://infinitooracular.blogspot.com.br/

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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Constatação

A vida é Natureza. 
Nossa vida é natural.

Tal como Ela, a Grande Mãe, nossa vida se espelha em pequenas coisas. Um sinal, uma luz, uma esquina, uma decisão e lá se vai todo um caminho de seiva, de vida, com o volante girando a sei lá quantos graus... É uma reviravolta, que volta e meia nos traz a caminhos seguer vistos ou até a alguns bem conhecidos.

É preciso seguir. Assim como a folha, é assim que vemos o mapa de nossos caminhos! É a carta 22 do Petit Lenormand em si mesma, um lindo mosaico de curvas e esquinas, caminhos que se (inter)ligam entre si, esbarram nos de outros, voltam para nós... Tudo conectado ao fio, ao veio principal. E como são belos estes mapas de lembranças.

É isso que não devemos nos esquecer, ao parar na beira do caminho: a vida 'é bonita, é bonita e é bonita'.





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quarta-feira, 19 de junho de 2013

II Encontro Carioca de Baralho Cigano [2013]


Hoje iniciamos as ações de divulgação e participação promovidas pela comunidade para o Dia do Baralho Lenormand. Afinal, falta UMA SEMANA para o grande dia! ;)

Ontem estivemos participando do II Encontro Carioca de Baralho Cigano, organizado por Alexsander Lepletier: Socorro através de uma participação em vídeo (assista aqui) e eu, Chris, dando uma palestra sobre Simbologia e como eles podem nos ajudar em nossa prática oracular.

Além disso, o próprio Alexsander deu uma excelente palestra sobre o "Lenormand no Rio de Janeiro" e Cris Mendonça falou primorosamente sobre a relação do nosso amado oráculo e os Orixás.

- Começamos ou não com o pé direito?! (rss)

Eu fiquei muito feliz com a minha palestra. Foi a minha primeira palestra "oficial", na verdade, rs. Claro que agora eu percebo que havia um "muito" a falar, mas me deixa muito feliz saber que as pessoas entenderam e aprenderam mais sobre o Petit Lenormand e sobre a Simbologia em si. 

Além disso, é sempre muito bom falar do que se ama, é muito bom mesmo... Obrigado, Alexsander, pelo convite! Aqui disponibilizo os slides que utilizei na palestra, pois alguma pessoas me pediram. Ah! Sorteamos alguns brindes por lá e os ganhadores foram:

* Bolsa de Estudos no próximo workshop de Alexsander Lepletier
  Fernando Innecco

* Exemplar de um Viona Lenormand
  Ana Lucia Alves

* Exemplar de um Het Lenormand Spel
  Jéssica Arantes de Albuquerque


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- Os sorteios continuarão! Além disso, já estamos organizando
mais coisas para esta semana ser bem movimentada...

Vamos celebrar!
Dia 25 de Junho, Dia do Baralho Lenormand!



quinta-feira, 30 de maio de 2013

Lenorgram, by Chris Wolf

Puxando o Petit Lenormand para mais perto, vendo-o sempre como bem contemporâneo e presente em nosso cotidiano, trago esta versão das cartas através da rede social do Instagram.
O "Lenorgram" está disponível gratuitamente para estudo e leituras pessoais aqui.

São cartas feitas com fotos selecionadas com cuidado e que foram submetidas ao filtro "earlybird" do Instagram. O tamanho de cada imagem é de aproximadamente 8,30 cm x 8,30 cm. As cartas estão numeradas de 01 a 36 e cada uma delas possui indicada a carta de baralho correspondente no canto inferior direito.

Para quem não possui ainda um deck próprio ou gostaria de ter um pra estudo, fique à vontade para imprimir as cartas e utilizá-las. Neste caso, recomendo a impressão das cartas em papel de 230gr ou superior e no tamanho máximo de 8cm x 8cm. Por favor, apenas não imprima para venda! ; ) 

Disponibilizei ainda a arte do verso das cartas e uma carta bônus, a de número 12, tanto na versão "Os Pássaros" como na versão "As Corujas", para que possam escolher.

Boas leituras e bom estudo!

sábado, 25 de maio de 2013

Blogagem coletiva do Dia Mundial do Tarô 2013

- E lá vamos nós, mais um ano!

Venho hoje para comemorar o Dia Mundial do Tarô e aceitar o convite de blogagem coletiva feito pela Luciana Onofre: escrever sobre o arcano que nos representa. Como descobri outro dia com o querido Emanuel J. Santos (blog Conversas Cartomânticas) que, por seu sistema, meu arcano pessoal é "A Força" eu decidi falar sobre ele, até para conhecê-lo melhor.



A "Força" fala de si mesma, mais ainda da força interior; fala de coragem, de autoconsciência e compaixão. Através deste arcano podemos encarar de fato a realidade, tomar o controle de nossas vidas, aprender a assumir responsabilidade por nossas ações, ter a capacidade de perdoar imperfeições, ser tolerante com os defeitos dos demais, aprender a ter consciência de nossas respostas instintivas e saber que somos mais fortes quando estamos íntegros. É como me disse a Lua Serena certa vez em um curso, "sem o autoconhecimento somos vencidos e facilmente devorados pelo leão interno".

Como saber quando se atinge o autoconhecimento de lidar com a força interior? No meu ponto de vista, ele deve trazer e/ou ser seguido do conhecimento de mensurar a intensidade. Um sopro e um vendaval tem a mesma natureza; o primeiro pode levar sementes a longas distâncias, já o segundo pode destruir cidades inteiras...

Assustador, não? Bom, eu já tive medo de minha totalidade, hoje não mais. Isto pode ser um problema? Algumas vezes, rss... É preciso saber-se por inteiro, assim como saber mensurar, medir sempre! Essa dicotomia me faz lembrar a carta do Petit Lenormand do "Urso": se não soubermos que força pôr, podemos esmagar a flor ao querer apenas tocá-la.

(e qual não foi minha surpresa ao ver que a carta da "Força" no Tarot das Bruxas do Alemdalenda traz a mulher montada em um urso! rs...)


Comparações tarológicas

Me volto para o "Mago". Como ele, também devemos saber mensurar a "A Força", assim como o "Mago" deve saber mexer com suas alquimias, mensurar volumes, misturar corretamente para conseguir chegar a sua pedra filosofal... A ligação com o "Mago" é visível, inclusive, nas cartas clássicas: o chapéu que a "Dama-Força" usa nos lembra o do "Mago", a representação do Infinito-Contínuo, dos extremos opostos já citados que se cruzam em algum momento.

O
"Mago" é aquele que aprende o valor de cada elemento e os respeita, para depois domá-los e chegar ao final esperado. Assim também o faz a  "Dama-Força", que não mata o subjulgado leão, e sim o doma para valer-se em seu favor de toda a sua força e maestria. 
 
"A Força" no deck do 'The Crystal Tarot' ou 'Tarocchi di Vetro', da editora Lo Scarabeo. Ilustrações de Elisabetta Trevisan; inspira-se nas linhas de Gustav Klimt e no estilo Art Nouveau. As imagens foram originalmente pitadas a têmpera sobre vidro, recriando o belíssimo efeito do vitral.


Mais impressões

Além disso, eu relaciono os conceitos da "Força" também ao Princípio Hermético de Polaridade: a delicada dama é tão forte quando o selvagem leão, pois os opostos são apenas extremos da mesma coisa. Tudo se torna idêntico em natureza, o leão e a dama são um só, divergindo apenas em intensidade: ao domá-lo ela remonta a fortaleza do Uno, do que é mais por ser único. A polaridade, como se sabe, revela a dualidade: os opostos representam a chave de poder no sistema hermético, pois era unindo o que é oposto que se chegava ao produto final. Essa ligação de opostos já foi usada para gerar maior força mágica muitas vezes, dentro do mundo mágico e pagão. 

Lembro-me também dos conceitos xamânicos de animal pessoal totêmico, quando vejo esta carta. Não o matamos, mas o 'domamos', para nos valer de toda a sua maestria. O animal totem, representado aqui como o leão domado, é nossa representação mais primitiva, instintiva. O totem ou animal de poder (e, por que não, animal de FORÇA?! rs) é aquele que representa nosso eu e, como bem disse a Lua Serena, "Qualquer observador da História e da humanidade pode constatar que a repressão do lado instintivo humano causou muito mais dor, sofrimento e violência do que equilíbrio e harmonia."

Aliás, a título de curiosidade, para o Xamanismo os animais de poder que são mamíferos - como é o caso do leão - estão ligados ao elemento fogo. Os xamãs dizem que cada animal totêmico traz para nós uma medicina; o termo medicina é empregado para o poder pessoal, dádivas de sabedoria, força física, clareza espiritual, talentos...

Sabem qual a medicina do Leão? Segundo o conhecido xamã Léo Artese, o Leão nos traz a medicina da liderança, da força, do poder, da coragem. Associado ao Sol, ele é evocado para os poderes de força, vitalidade, potência sexual, saúde, energia, prosperidade, proteção e também para aumentar a autoconfiança quando se tem pela frente tarefas difíceis, desafiadoras. É usado para se ter ousadia, audácia de iniciar algo, como também para ter a paciência necessária e fazer com que a inteligência vença o instinto. Também é chamado quando há necessidade de forças para vencer limitações ou bloqueios e para equilibrar mente e coração, emoção e intelecto, consciente e subconsciente. Além disso, auxilia a trabalhar com luz e escuridão, opostos em si que são parte de uma mesma coisa, pois o claro e o escuro também são manifestações da luz...

- Ok, ok, dá para não dizer que TUDO isso também está na carta da
"Força"? :D


Considerações finais

A "Força" traz em si uma grande integridade e poder, e é preciso muita "força" para levar isso... Muitas vezes nós subestimamos o poder que nós mesmos possuimos, a nossa capacidade de melhorar nossas vidas simplesmente ao deixar esta força se manifestar, essa vontade. Esta carta nos lembra que todos nós temos esta chama e tudo o que precisamos fazer é dar valor a esta força, alimentá-la, respeitá-la dentro de nós. Se por algum motivo abafamos o calor deste fogo interno, tendo medo de "assumir as rédeas", precisamos considerar que aquilo que mais tememos pode acontecer, e podemos vir a ser subjulgados e perder nossas vozes, nossas vontades... É preciso respeitar sua vontade, seu interior, aquilo que você é: todos nós temos a força para criar a paz entre os opostos e domá-los, com respeito e integridade, mesmo dentro de nós mesmos.

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Fiquei muito feliz em falar mais deste arcano e acredito que agora entenda-o muito melhor como meu arcano pessoal. Eu me considero curiosa sobre o Tarô, mas como cartomante esse foi um exercício maravilhoso de assimilação e simbologia. 

 Feliz DIA MUNDIAL DO TARÔ!




segunda-feira, 20 de maio de 2013

Olhando carta a carta...

- Estudando, estudando, e parando rapidinho para "conversar"... Digam o que acham!

Eu, daqui, pensando em matéria de simbolismo e analisando as cartas do Petit Lenormand reparei que, excetuando-se as cartas ditas 'humanas', ou melhor, as que representam pessoas (28 - 'Cavalheiro', 29 - 'Dama' e 13 - 'Criança') e exceto também a única que, ao meu ver, representa um sentimento em primeiro plano, algo que é abstrato por si só (carta 24 - 'Coração'), temos exatos 16 símbolos ditos NATURAIS e 16 símbolos ditos CULTURAIS (criados ou, no mínimo, tocados e transformados pelo Homem).

A definir, temos como "Culturais" o que definiu bem Neri de Paula Carneiro, "o Homem não se limita ao mundo natural; ele o transcende e o transforma. Transcende porque tem expectativas que não se limitam ao mundo como ele se apresenta e nem à sua materialidade. Transforma porque o recria constantemente, imprimindo sua marca: a marca da cultura.

Em razão disso é que dizemos que o Homem se humaniza produzindo seu mundo, gerando sua marca cultural ou as diferentes manifestações culturais. Ou seja, diferentemente de outros seres, o humano se autoproduz reproduzindo o meio que o circunda; recria o mundo natural e o já criado, criando novo significado e novas formas de aproveitamento das realidades já existentes."
(1)

Aqui, vale um adendo: reforçando a questão a respeito da criação do Baralho Petit Lenormand NÃO ter sido feita pelos ditos ciganos europeus, que em sua grande maioria viviam nômades e tinham outros valores de cultura e história, das 16 cartas ditas culturais, a grande maioria delas não representam símbolos do cotidiano comum deste povo, como NAVIO, CASA, TORRE, ÂNCORA, etc.



>> As 16 Cartas NATURAIS (aqui, divididas em sub-grupos):


* Reinos Vegetal e Mineral:


 * Reino Animal:
 




 * Corpos Celestes:


 

 - - - - - - - - - - - - - 


>> As 16 Cartas CULTURAIS:





 

 
1 Artigo "Uma Antropologia da Cultura* III: Cultura: a criação humana"

* Das cartas: todos os direitos de imagem reservados à Editora A.G. Müller, Suíça.


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2º Encontro Carioca de Baralho Cigano

2º Encontro Carioca de Baralho Cigano - Lenormand, simbologia e cultura

Simbologia e cultura será o tema do ECBB desse ano.  Discutiremos as dimensões simbólicas do baralho, seu diálogo com o cotidiano e a cultura afro-brasileira.

Além disso, divulgaremos e celebraremos o Dia do Baralho Lenormand. Essa data comemorativa tem sua importância por ser um momento de união e celebração, manifestações artísticas, reunião e discussão coletiva, promovendo o estudo e a interação coletiva.

Em nossa mesa, contaremos com a participação de grandes profissionais e estudiosos: Alexsander Lepletier, Chris Wolf e Cris Mendonça e ainda teremos uma convidada especial, Socorro Van Aerts, diretamente de Amsterdam.

Esperamos vocês por lá!

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II ENCONTRO CARIOCA DE BARALHO CIGANO
- LENORMAND, SIMBOLOGIA E CULTURA -

18 DE JUNHO, às 19h


ALEXSANDER LEPLETIER | CHRIS WOLF | CRIS MENDONÇA
Universidade Cândido Mendes – Ipanema
Rua Joana Angélica, 63 – Ipanema - Auditório Petronio Portella – 6º Andar

 -  P R O G R A M A Ç Ã O  - 


19h00
Alexsander Lepletier
 Lenormando no rio, cartas na cidade – O baralho cigano, o cotidiano e a cidade maravilhosa

19h45
Chris Wolf
Baralho Lenormand - Ampliando horizontes com os Símbolos

20h30
Chris Wolf e Socorro Van Aerts
Dia do Baralho Lenormand | 25 de junho

21h45
Cris Mendonça
Cartas Ciganas e os Orixás



Evento gratuito! Inscrição necessária até a data limite: 15/06
Para inscrever-se basta acessar:
http://ecbaralhocigano.wufoo.com/forms/a-inscrevase/


Organização e produção:
Alexsander Lepletier
www.lenormando.blogspot.com

Chris Wolf
www.eyeofperegrine.blogspot.com
www.journee-lenormand.blogspot.com


Arte:
Lenoardo Chioda
www.cafetarot.com.br




quinta-feira, 16 de maio de 2013

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quinta-feira, 25 de abril de 2013

Ampliando conhecimento!

De vez em quando me pego analisando o meu oráculo, o Baralho Petit Lenormand. Olho lâmina a lâmina, como se isso me fizesse conhecê-lo no íntimo, como se eu quisesse "absorver" tudo o que cada carta possui. Para mim, ali, tudo faz sentido. Vem a mente os significados intrínsecos de cada carta, em seus desenhos... É estranho, mas eu vejo um mundo em cada uma delas. 

"O ser humano tem a habilidade inata de pensar em termos de símbolos, que deriva, fundamentalmente, da tendência à representação. (...) A mente humana é misteriosa, um universo em expansão e sem fronteiras dentro de nós. A memória e os pensamentos conscientes dão uma idéia de onde começa a mente, mas seus limites permanecem desconhecidos. Ademais da capacidade de evocar pensamentos, construímos nossa existência pelo armazenamento das experiências vividas - um repositório se extende para muito além da consciência. Em níveis ainda mais profundos, a mente abrange o que o psiquiatra Carl Gustav Jung chamou de 'inconsciente coletivo', uma dimensão psicológica hereditária, da mesma forma que o corpo herda suas características físicas." (1)
 
Creio que as correlações que fazemos vem sempre em uma escala: o significado primevo traz as sensações que ele evoca; depois disso, a amplitude se instala e vem a mente as coisas semelhantes nomeadas que conhecemos, que nos são próximas; ampliamos mais e começamos a unir as coisas nomeadas entre si, dando um terceiro significado ou mais...

Por exemplo: ao fazermos um traçado num papel de uma linha que se curva até chegar a outra ponta e fechar em si nos faz criar um CÍRCULO. Quase que imediatamente no momento em que o fechamos acessamos nosso inconsciente coletivo e lembramos também de muitas coisas. Partindo do círculo, eu me lembro:
 
 * da BOLA > A bola traz a DIVERSÃO > A diversão da bola traz o GRUPO DE AMIGOS >>> ...

* do ANEL > o ANEL traz o PRESENTE > o presente do anel traz o COMPROMISSO >>> ...

* do BURACO > o buraco traz o ESCURO > o escuro do buraco traz o MISTÉRIO >>> ...

* do OUROBOROS > o ouroboros traz o CICLO > o ciclo do Ouroboros traz o ETERNO >>> ...

* da LUA > a lua se faz CHEIA > a lua cheia traz a BENÇÃO >>> ...

* da RODA > a roda traz o MOVIMENTO > o movimento da roda traz o SEGUIR EM FRENTE >>> ...

* da CIRANDA > a ciranda traz a UNIÃO > a união da ciranda traz a IRMANDADE >>> ...

E não pára por aí! Ter uma boa "biblioteca interna" ajuda bastante nesta abstração e na correlação entre os símbolos e os significados possíveis que surgem durante a leitura de um oráculo. Isso acrescenta uma riqueza de informação à leitura, sendo possível passar o que a carta em si quer dizer para qualquer público, repassando ao cliente da melhor forma.

Ah, sim... É preciso um certo grau de abstração, mas essa mesma abstração deve estar fundamentada no conhecimento e no entendimento. Deste modo, a análise e estudo destes símbolos e arquétipos é de grande importância para o resgate simbólico e para compreensão dos signos que surgem também nos oráculos e, consequentemente, para uma compreensão mais profunda de si mesmo. (2)

* Como ampliar a visão dos símbolos

O simbolismo do Baralho Petit Lenormand é próprio e muito próximo de nós também, fazendo com que ele seja um oráculo do cotidiano. Seus simbolos são atuais até hoje, pois mostram coisas, objetos e itens presentes em nossa vida e facilmente entendíveis e transponíveis por seus leitores. O estudo das lâminas e dos símbolos do Baralho Lenormand amplificam os significados e devem sempre ter como ponto de referência o momento onde foram criados e o que signficavam áquela época. Ao meu ver, não se pode fugir da matriz simbólica, tampouco se limitar a ela. 

"O ato de transpor os símbolos para outras esferas, principalmente para o cotidiano, nos faz entender como um ou outro símbolo e o seu significado pode 'aparecer' no dia-a-dia, aumentando a percepção e o conhecimento empírico sobre o mesmo, ampliando visões. Isso pode ser percebido, por exemplo, ao se 'vivenciar' os arquétipos e simbologias dos oráculos ou trazê-los para um meio que você domine e/ou conheça bem. Iremos lidar com vários textos neste sentido nos próximos meses aqui no bloguinho, levando o oráculo que uso, o Baralho Petit Lenormand, a 'visitar' outros mundos." (3)  

* DICA: caminho 'via de mão dupla'

Experimente também correlacionar não os símbolos do oráculo que usa à algo, mas a fazer o caminho inverso. Isso vale muito ao estudar oráculos onde o simbolismo é mais restrito, como as Runas, por exemplo.

As runas são caracteres de um alfabeto hoje praticamente esquecido, que com o passar do tempo adquiriram simbolismo mágico e divinatório. Uma delas, a runa ISA (foto à esquerda) é representada com um traço vertical - desta forma, | - e siginifica a imobilidade causada pela neve, a contrição, as situações fora do seu controle que te forçam a uma parada total. É um momento de pausa, reflexão, recolhimento - inclusive de suas energias. 

Por ser uma runa do gelo, você poderia enxergá-la como uma estalactite (foto abaixo), que nada mais é do que água e destritos acumulados, parados, presos, congelados. Algo comum nos países germânicos de onde vem as Runas, mas que muitas pessoas não sabem exatamente o que é.

Porém, se este símbolo é desconhecido, podemos pensar em outras coisas que nos causem a mesma sensação, ou seja, procurar um simbolismo conhecido para apreendermos o que quer nos dizer esta runa. Pictoricamente, por ser um traço ( | ), podemos pensar em PAREDES, BLOQUEIOS que impedem o avançar; algo que se COLOCA EM NOSSA FRENTE IMPEDINDO A VISÃO, o que causa uma maior reflexão interna, o "olhar para dentro". Podemos pensar na questão do GELO e lembrar que ele, às vezes, REFLETE, tal como um ESPELHO, que traz o "olhar para si" e a reflexão que isso causa.


1 "A Linguagem dos Símbolos", de David Fontana (Publifolha)
2
Artigo "Oraculando", publicado originalmente neste blog
3 Artigo "Ato de (re)criação!", publicado originalmente neste blog



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terça-feira, 16 de abril de 2013

Ato de (re)criação!

Como já falamos antes a respeito dos oráculos, qualquer objeto, moeda, cartas, dentre outros, podem dar uma resposta (afirmativa ou negativa, e também outros tipos de respostas) desde que exista um padrão já determinado no sistema de leitura.

O ato de interpretar tais respostas e estabelecer sentido, passando adiante a mensagem, é possível por conta da interpretação dos símbolos contidos no oráculo consultado. A interpretação dada pelo oraculista vem atráves de intuições e também do entendimento do signo que se apresenta na hora do jogo. Vem daí o entendimento que, em se estudando a simbologia e os métodos de um oráculo, é possível interpretá-lo. (1)

A curiosidade humana é muito do que nos faz diferentes, e o interesse pelo oculto e pelo futuro existe desde os dias mais antigos... Oráculos famosos eram consultados por reis e plebeus, sem distinção. Porém, é preciso nunca esquecer da importância dos símbolos para nós até hoje. Como instrumento altamente imagético e simbólico, o oráculo 'fala' conosco através do que o psicanalista Carl Gustav Jung chamou de inconsciente coletivo, uma linguagem antiga e intuitiva por ser rica em entendimento intrínseco.

Por isso mesmo, além de poder ser utilizado como arte divinatória, um oráculo traz em si inúmeras possibilidades de amplitude de conhecimento e pode ser, facilmente, usado para uma jornada de melhoria e engrandecimento pessoal.


* Novas formas e visões

- Foto por Donnaleigh de la Rose -
Uma das várias formas de se lidar com um oráculo como aprimoramento pessoal é o ato de transpor os símbolos para outras esferas, principalmente para o cotidiano. Entender como um ou outro símbolo e o seu significado pode 'aparecer' no seu dia-a-dia aumenta a percepção e o conhecimento empírico sobre o mesmo, ampliando visões. Isso pode ser percebido, por exemplo, ao se 'vivenciar' os arquétipos e simbologias dos oráculos.

Outra forma muito interessante de lidar com os oráculos e sua simbologia é trazê-los para um meio que você domine e/ou conheça bem, como fez o amigo Emanuel J. Santos, já conhecido nosso do blog Conversas Cartomânticas, que traz um novo projeto: o Petit Lenormand em Ponto Cruz, que como ele mesmo define é "uma possibilidade de criação e aprendizado de cartomancia e bordado". Vale a pena acompanhar!

Para aqueles que lidam com oráculos, saber-se próximo - quase 'íntimo'! rs - do instrumento que se utiliza é algo fantástico. Temos praticamente um 'bate-papo' que flui como uma conversa entre amigos... E que tal trazer não só o significado, mas também o símbolo em si para um tema que você goste e criar um oráculo pessoal?É possível utilizar um deck e customizá-lo, como mostra a figura acima, ou ainda proceder com a criação das cartas dentro do tema de sua escolha.


* Experiência pessoal

Sou cartomante e utilizo também como oráculo o Baralho Petit Lenormand. Em cima disso, fiz um deck personalizado, que eu chamei de "Orientalist Lenormand". Ah, sim! Iremos lidar com vários textos neste sentido nos próximos meses aqui no bloguinho, levando o Baralho Petit Lenormand a 'visitar' outros mundos... 

- A imagem que deu origem a carta 18,
o 'Cão', em meu deck pessoal:
pintura "The Negro Master of the Hounds",
de Jean-Léon Gérôme -
Sobre o tema que escolhi, vários me rondam o gosto pessoal e um deles é tão marcante que resolvi unir o 'belo' ao 'aprazível' (rs): sou apaixonada pela cultura e arquitetura antigas da área do Mediterrâneo! Uma viagem dos sonhos para mim é ir da Turquia à Espanha, passando pela Egito, Líbia, Grécia, Itália, Argélia, Marrocos... E passear por todo aquele mar que, segundo conta o conto, a nau Argo e seus heróis um dia desbravaram!

Sou, portanto, fã do Orientalismo. Vale a distinção: o "Orientalismo", em sua tendência ortodoxa, foi uma das teorias criadas em meio as ciências humanas que maior êxito obtiveram em deturpar a mentalidade ocidental sobre o que seria o "oriente", tornando-o exótico, misterioso, problemático e perigoso (2).

Este mesmo termo, entretanto, denomina uma leva de pintores e suas incríveis obras. Para a pintura, o "Orientalismo" é mais amplamente usado para se referir às obras de muitos artistas do século 19, que se especializaram em representar assuntos do "oriental" (3). É neste último sentido a que me refiro.

Foi um ato puro de (re)criação e... Recreação! (com o perdão do trocadilho, rss...) Achar as pinturas que se identificavam com as cartas do Baralho Petit Lenormand me levou numa busca incrível, um deleite aos meus olhos, uma elevação do que cada carta representava.

Talvez você possa usar colagem para fazer suas imagens... Selecione algumas que lhe interessem e tente incorporá-las em seus desenhos. Se você achar que tem veia de artista, faça uma série de rascunhos das imagens primeiro, ou procure materiais diferentes para esculpir, imagine, se lance no inusitado! Desde que funcione para você, é válido: pense no que os arquétipos, no que o simbolismo significa para você pessoalmente. Você pode fazer isso para aprendizado, ou pode inclusive utilizar para a arte da divinação, tanto faz! O importante é que tenha a mente aberta para aprender de formas diferentes.

Pense nestas formas diferentes de lidar com o seu oráculo, tenho certeza de que será uma experiência gratificante. Para mim, foi uma experiência única, bastante divertida, e que eu recomendo!




1 Artigo "Oraculando", publicado também neste blog
2 Wikipedia; Orientalismo
3 Do site do artista E. Cury


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quarta-feira, 20 de março de 2013

segunda-feira, 11 de março de 2013

Oraculando

Benção ou maldição, eu posso dizer que tenho uma certa facilidade em lidar com mensagens que "querem chegar ao seu destino"... Um dom, muitos diriam, mas que sozinho não representa tanto e deve vir sempre associado ao estudo. Dias atrás, enquanto estudava mais sobre o simbolismo do oráculo que utilizo, percebi a alegria que é ter acesso a essa comunicação direta, e me peguei pensando sobre o ato de oracular, entusiasmada - e fato é que a palavra "entusiasmo", em sua origem, é "ter o deus em si"
'Priestess of Delphi' (1891),
de John Collier

O que é um oráculo? Por definição, a palavra designa a "resposta dada por uma divindade a uma questão pessoal através de artes divinatórias. Por extensão, o termo oráculo designa tanto a divindade consultada como o intermediário humano que transmite a resposta, e ainda o lugar sagrado onde essa resposta é dada. A língua grega distingue estes diferentes sentidos: entre numerosos termos, a resposta divina pode ser designada por "khrêsmós", literalmente o fato de informar. Pode-se também dizer "phátis", o fato de falar. O intérprete da resposta divina é freqüentemente designado por "prophêtê", aquele que fala em lugar (do deus), ou ainda "mántis". Por fim, o lugar do oráculo é "kherêstêrion"" (1). Como se vê, um conceito bastante amplo e muito simples.

Várias práticas, ou artes divinatórias eram consultadas: de ossos a lendas de cabeças falantes, passando pelas diversas "mancias" conhecidas até os dias de hoje, muitas são as formas de receber a mensagens dos deuses, do universo, do etéreo... Seja lá como você a "reconheça", rs. Cadeira por muito tempo ocupada somente por mulheres, aquelas que detinham o conhecimento oculto de todas as coisas, hoje em dia muitos oraculistas masculinos representam muito bem o título que detêm. Familias também detinham, antes, o poder único de passar adiante o dom oracular - coisa que hoje ainda existe, mas não delimita mais.


* Lidando com o dom e com o estudo

Qualquer objeto, moeda, cartas, dentre outros, podem dar uma resposta (afirmativa ou negativa, e também outros tipos de respostas) desde que exista um padrão já determinado no sistema de leitura. O ato de interpretar tais respostas e estabelecer sentido, passando adiante a mensagem, é possível por conta da interpretação dos símbolos contidos no oráculo consultado. Um símbolo com sentido é um signo; a interpretação dada pelo oraculista vem atráves de intuições e também do entendimento do signo que se apresenta na hora do jogo. Vem daí o entendimento que, em se estudando a simbologia e os métodos de um oráculo, é possível interpretá-lo.

O dom é manisfestação divina, e geralmente ele nos faz pender para um determinado tipo de "mancia": você escolhe cartas porque se sente mais confortável, e aí talvez se apegue mais ao tarô ou ao baralho comum, ou escolhe runas pelos desenhos lhe parecerem próximos, as moedas por lhe serem mais "chegadas"... E se decidir estudar um oráculo, mesmo sem ter este approach, conseguirá ler as mensagens que irá receber através dele. Claro que ter os dois, dom e estudo constante, é muito bom (rs).


* Papeando com os símbolos

 O estudo traz a consciência, não só do que quer dizer um determinado símbolo, mas de como ele foi elaborado, em que momento da história ele surgiu e como isso tudo influencia na leitura, etc... O que entendemos por simbologia? Como alguns símbolos significam um tanto igual para tanta gente diferente? 

Vamos pensar em um sistema oracular antigo, citado até mesmo em escrítos bíblicos: a oniromancia ou a interpretação dos sonhos. Técnica muito difundida no ocidente e usada desde os tempos mais antigos, foi citada por Carl Gustav Jung (foto à esquerda) em vários de seus trabalhos como sendo uma forma realmente eficiente de analisar a condição da psiquê do consulente. Diz-se que a civilização mais antiga a lidar com os sonhos como presságios foi a egípcia: pessoas pagavam tributos para dormir nos templos e, ao acordar, terem seus sonhos interpretados pela sacerdotisa local. Como entender que, desde aquele tempo até os dias de hoje, sonhar com um determinado símbolo "significa a mesma coisa" que sonhar com ele hoje?

A Psicologia Analítica de Jung foi a que mais contribuiu para o estudo do material simbólico da humanidade. Jung fez várias viagens, conheceu várias culturas e com isso pode vislumbrar uma conexão universal entre os homens, uma herança psicológica construída ao longo da evolução humana. A essa herança ele denominou de inconsciente coletivo. "Os conteúdos do inconsciente coletivo são denominados de 'arquétipos' (tipos arcaicos) que surgem na consciência como imagens simbólicas. Através da concepção de inconsciente coletivo, Jung concebe que todos os homens, primitivos ou modernos, compartilham de um conhecimento arquetípico universal. O inconsciente coletivo rompe com a linearidade espaço-tempo, ampliando a visão do psiquismo para além da simples causalidade".
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Ou seja, o significado do símbolo não vem apenas por coincidência ou fatalidade. Ele se apresenta e traz, em si mesmo, um mundo de  possibilidades de leitura e interpretação. Jung também cunhou o termo "sincronicidade" para descrever coincidências significativas. Ele acreditava que a mensagem que "cai" num jogo oracular através da carta, pedra ou símbolo que escolhemos é inspirada por algo interior que precisa ser expresso ou se manifestar no mundo exterior naquele momento.
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O material arquetípico do inconsciente, de tão arcaico, por muitas vezes não tem sentido factual para o homem de hoje. Ou o sentido se escoou no tempo-espaço, ou se fundiu com seu símbolo criando um signo tão forte que se mantém sozinho, sem precisar de muita explicação. Para os dois casos, é preciso entendimento: no primeiro, para que não se perca sentido, e no segundo, para não limitá-lo.

Vamos exemplificar com um símbolo conhecido: o "cão". A não ser que a pessoa tenha sido mordida alguma vez na vida ou goste mais de gatos como bichos de estimação, podemos quase afirmar que quando ela for questionada sobre os atributos do cão ela dirá que ele é "o melhor amigo do homem". Isso vem desde quando os cães eram selvagens e passaram a ser domesticados, tornaram-se protetores, foram usados de forma errônea sendo levados a praticar a caça como "esporte" (gosto de seus donos), foram trazidos para dentro das casas, e até hoje convivem conosco. O cão, como símbolo, traz os arquétipos de fidelidade e companherismo, mas também de obediência, de amizade, de compromisso, de delimitador e protetor de seu espaço - dentre outras coisas!

É preciso um certo grau de abstração, mas essa mesma abstração deve estar fundamentada no entendimento. Deste modo, a análise e estudo destes arquétipos é de grande importância para o resgate simbólico e para compreensão dos signos que surgem também nos oráculos e, consequentemente, para uma compreensão mais profunda de si mesmo. Uma forma muito benéfica de aprendizado arquetípico é o estudo das mitologias. "A mitologia é o sonhar coletivo dos povos", como nos disse Walter Boechat, médico e analista junguiano. Ele explica que "o mito possibilita a amplificação da situação vivida pelo paciente, possibilitando sua melhor compreensão, uma vez que seus sonhos e fantasias têm a mesma raiz dos mitos arcaicos."


* A intuição como parceira fiel

O estudo simbólico de um oráculo traz ainda a expansão desse inconsciente coletivo, fundindo-se com a mente ativa e tornando-se parte de nós mesmos. Alimentar isso faz valer cada segundo de intuição que venha em uma leitura oracular. Ah, sim, a intuição!... O que dizer daquela voz interior que diz, naquele momento, algo extremamente pertinente, mesmo que pareça contrário ao signo naquele momento?

Sim, estudamos também para expandir a conciência coletiva ao grau intuitivo, que fala conosco através da parte de nós mesmos menos tocada pelo mundo externo. Algumas correntes esotéricas denominam esta parte de "Self Jovem": "É o self mais jovem que diretamente experimenta o mundo, através da percepção holística do hemisfério direito. Sensações, emoções, energias essenciais, memória de imagens, intuição e percepção difusa são funções do self mais jovem. A sua compreensão verbal é limitada; ele se comunica através de imagens, emoções, sensações, sonhos, visões e sintomas físicos."
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Por isso a intuição vem, muitas vezes, arrebatadora! Ou, ainda, fica "martelando" continuamente até que seja ouvida pela mente consciente, ou "Self Discursivo". Ao utilizar algum método oracular, ato que lida diretamente com os arquétipos, a intuição se apresenta e faz-se notar. E não duvide dela, não mesmo! Até confirme, mas não duvide: é importante não deixá-la de lado, pois por falar exatamente a mesma língua da simbologia do inconsciente coletivo, a intuição pode nos trazer percepções não notadas anteriormente. Dar a devida atenção faz com que a intuição se torne parceria mais do que fiel do oraculista. Praticando a gente se entende! Assim como num estudo de um idioma, a prática oracular leva a absorvição simbólica e ao desenvolvimento intuitivo.
 

* O resgate do oráculo nos dias de hoje

A "palavra" de um oráculo era extremamente respeitada no mundo antigo. Muitas civilizações nos quatro cantos do mundo utilizavam esse canal de "informação" e conhecimento sobre aquilo que estava oculto ou não era percebido pelo homem comum - fosse ele o chefe de uma tribo, o patrono de uma cidadela ou um dono de cabras... Todos podiam através de um oráculo saber a resposta aos seus questionamentos, fossem estes quais fossem! Cidades se criaram em volta dos oráculos, comércio e intercâmbio cultural se desenvolveram por causa deles. No mundo antigo, as pessoas viviam com os deuses mais presentes e atuantes: ter um local e/ou alguém para receber as mensagens deles era mais do que natural.


'The Wish' (1840),
por Theodor von Holst
O mundo moderno trouxe a desconexão. O esquecimento do que é sagrado (em detrimento do que era tangível) trouxe o abandono e a prática oracular perdeu sentido, foi relegada ao "oculto". Com o novo pensar da humanidade, um (pouco!) mais voltada para as questões internas e etéreas, o ato de oracular ganhou novamente força, pois fala uma língua acessível à todos! Porém, para alguns, a arte oracular ainda não soa a algo confiável, ou é quase banal, "auto-ajuda" demasiada travestida de fantasia, sem muita credibilidade e com muita curiosidade... Poucos (re)conhecem a força mágica e etérica que nos rodeia, e entendem o oráculo como fonte de comunicação.

Para nós, oraculistas, é preciso lutar contra essa perda de importância do oráculo em si, retornando-o às raízes da respeitabilidade. Para se ter respeito é preciso dar-se o respeito: para quem lê para outrem ou para si mesmo, manter-se com ética, profissionalismo e honrando a tradição que o oráculo traz em si mesmo. Estudando e sempre se mantendo aberto a "dialogar" com os símbolos, dando a devida importância ao que lhe é "dito", e resistindo às projeções. Respeitando também a si mesmo, ao dom que possa ter, a determinação que empenhou no aprendizado e as responsabilidades que ser oráculo traz, com os demais e consigo mesmo.

"Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo."
— Inscrição no oráculo de Delfos, atribuída aos Sete Sábios (650 a.C.- 550 a.C.)


 1 Wikipedia
2 "Os mitos: fontes simbólicas da Psicologia Analítica de C.G. Jung", de Gabriella Gomes Cortes
3 "A Bíblia do Tarô", de Sarah Bartlett
4 "A Dança Cósmica das Feiticeiras", de Starhawk


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