terça-feira, 20 de novembro de 2012

Refresque o Verão!

¬ Infusões que são úteis, mágicas e ainda aliviam o calor


O Solstício trouxe o Verão para nós, residentes do Hemisfério Sul. Iniciado oficialmente às 3h30 da madrugada do dia 22 de dezembro (horário de Brasília), a estação do Sol chegou com muito calor em todo o país, afinal o Verão no Brasil é sinônimo de calor intenso. O "Rio 40º", tão famoso que virou música, abre a temporada de praias lotadas,  passeios ao ar livre, pancadas de chuvas, muitos ventiladores e clima instável, dentre muitas outras coisas... Toda e qualquer sombra é bem vinda e para aliviar o calor tudo é válido. E que tal um chá gelado? 

Sobre o Chá, a Tisana - e os benefícios...

O "verdadeiro" chá vem a ser uma bebida preparada através da infusão de folhas, flores ou raízes da planta Chá, a Camellia sinensis (foto ao lado). Esta mesma espécie de Camellia dá origem a milhares de chás diferentes, de acordo com as condições de cultivo, coleta, preparo e acondicionamento das folhas. No entanto, todos esses produtos podem ser divididos em quatro categorias distintas:

- Chá Branco, não fermentado e produzido das mais tenras folhas, mais raro e caro;
- Chá Verde, levemente fermentado;
- Chá Oolong, de fermentação mediana, basicamente ficando entre o chá verde e o preto, mas com características degustativas geralmente mais a cerca do chá verde;
- Chá Preto, bem fermentado, e forte.

As infusões que conhecemos como 'chás', na verdade, são denominadas de tisanas, que são toda e qualquer infusão de frutos, folhas, raízes ou ervas - mesmo não contendo as partes da planta Chá. Geralmente preparadas com água quente, as tisanas adquirem seu sabor de acordo com as ervas e o processamento utilizado na preparação da infusão. O processo mais comum consiste em colocar a erva escolhida na água a ferver durante cinco ou seis minutos num recipiente fechado. Após esse tempo, ele é retirado do fogo e colocado para descanso, ainda tapado, por cerca de 15 minutos. Depois de coada, a tisana estará pronta para ser consumida. Uma das vantagens de se fazer uso das tisanas é que a cada maneira de preparo um novo sabor é encontrado, tanto de acordo com o processo utilizado, como pela maneira de adoçar, a quantidade de cada erva utilizada... Uma verdadeira alquimia.

 
Muitas dessas infusões possuem propriedades medicinais e você pode cultivar ervas em sua própria horta ou jardim, ou adquirir as mesmas em casas especializadas. Para quem estuda e segue a Herbologia, além das propriedades medicinais fitoterápicas, existem as características mágicas vindas da energia de cada planta através de seus princípios ativos, formas, cores, aromas... Elas possuem aura, alma, VIBRAÇÃO: as plantas possuem a força dos quatro elementos-base, tanto em sua composição como no local aonde se encontram.  

Os antigos estudiosos esotéricos perceberam que a força, a energia de cada planta se relacionava mais fortemente com um dos quatro elementos e tomaram este dado para classificá-las desta forma por sua Regência Elementar. Além disso, utilizaram também os sete astros conhecidos na época para associar as Regências Astrológicas de cada planta, e assim poder lidar com suas características para consagração e uso mágico de cada uma delas. Ainda hoje utilizamos estas classificações: por vezes você encontrará em livros e listas na internet, por exemplo, que a canela é uma planta regida pelo elemento Fogo e pelo Sol ou ou que a amêndoa é do elemento Terra e é regida por Mercúrio. Todas essas indicações são válidas no uso mágico das plantas e ervas.

É sempre importante lembrar que a maioria das ervas é bastante segura, mas algumas podem apresentar efeitos colaterais se usadas indevidamente. Algumas plantas podem ser usadas inteiras sem risco algum, outras podem ser úteis apenas nas folhas ou frutos, tendo em suas raízes princípios ativos altamente nocivos...  Mesmo sabendo que inúmeras dessas plantas e ervas são usadas largamente na Gastronomia e em Medicina Alternativa, faça uso de um bom guia fitoterápico ou procure um especialista ANTES de utilizar quaisquer uma das receitas que você vier a encontrar aqui ou nos demais sites e livros sobre o tema. É fundamental só utilizar certas plantas com a orientação de um fitoterapeuta experiente.

Abaixo, segue uma excelente forma de fazer um chá gelado para refrescar durante os dias de sol a pino (clique na imagem para ver em maior escala). Além disso, listamos algumas combinações básicas que afastam o calor e trazem alegria, entusiasmo e força extra para recarregar as nossas energias no verão brasileiro. 





Receita #01
01 casca de uma Laranja inteira
Sementes de Funcho (Erva-Doce)
Pétalas de Hibisco (pode-se substituir as pétalas por sumo de Limão)

* Depois de fervida a água, lave muito bem e acrescente a casca de laranja. Deixe ferver por alguns segundos, apagar o fogão e juntar as sementes de funcho. Ao esfriar, coar e levar à geladeira. Repetir a preparação dos gelo especial com a infusão de hibisco. Após solidificar, usar os cubos róseos com o chá gelado de casca de laranja. Adoçar somente depois disso, pois o hibisco tende a adocicar levemente... Se quiser, acrescente uma fatia de laranja sem casca.

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Receita #02

Folhas de Hortelã Pimenta
Pêssegos com casca
01 colher de café de Chá Verde

* Aquecer a água até que esteja a ponto de ferver. Descascar os pêssegos e dispor o chá verde e as cascas num recipiente e despejar a água por cima, tapar e deixar em repouso por três minutos. Levar à geladeira após esfriar.  Preparar o gelo especial com a infusão de hortelã pimenta. Após solidificar, usar os cubos no chá gelado já pronto. Pode-se colocar pedaços pequenos de pêssego para adoçar e algumas folhas bem lavadas de hortelã pimenta para decorar.

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Receita #03
Erva Mate
Maçãs desidratadas, cortadas em pedacinhos
Limão (suco e gomos)

* Aquecer a água até que esteja a ponto de ferver. Dispor a erva mate num recipiente e despejar a água por cima, acrescentar a maçã desidratada, tapar e deixar em repouso por três minutos. Levar à geladeira após esfriar. Faça um suco de limão levemento forte e disponha na forma de gelo. Após solidificar, usar os cubos no chá já pronto. Na hora de servir, disponha os gomos de limão para decorar e acrescente mel à gosto.



Por Aysel Gülbarg [Chris Wolf],
 originalmente publicado em 04.01.12
© Todos os direitos reservados.

Vivenciando a Roda do Ano

* Por algum tempo escrevi para um site da qual era moderadora sob um pseudônimo, tirando dúvidas enviadas por e-mail para a coluna que se chamava "Bruxa Teteca Responde - Por Trina Tanith". As opiniões expressas eram minhas, portanto trago os textos também para cá e inauguro mais uma aba de temas no bloguito: 


Vivenciando a Roda do Ano
¬ Com as diferenças de hemisférios e datas, como sentir
a melhor forma de 'rodar' pelo calendário pagão?



Olá, como vão, queridas e queridos? Sou Caterina (Trina) Tanith; para os amigos, Teteca. Muitas pessoas entram em contato para tirar dúvidas sobre magia, querem receitas, dicas e muito mais... Na coluna deste mês, respondo à pergunta feita pela Mariana, do Rio de Janeiro:
"Olá... Estou com uma dúvida a respeito dos sabás e do calendário wicca, não entendo muito bem porque em alguns livros mostram do Samhain em abril! Tem haver com os hemisférios? Espero que possa me ajudar a entender!"

Sobre sua dúvida, então, a primeira coisa a dizer é: SIM, tem a ver com os hemisférios.
- Vamos entender passo-a-passo como funciona?

A chamada Roda do Ano vem a ser o nosso ano/calendário pagão. Nele, de acordo com o mito da criação, a Deusa tece o destino e o Deus vivencia todas as fases da Roda demonstrando a influência de cada uma delas sobre todos nós. São os principais rituais Wiccanos, sendo chamados de os Quatro Sabás Maiores (Samhain, Imbolc, Beltane e Lammas) e os Quatro Sabás Menores (Yule, Ostara, Litha e Mabon).

Os sabás celebram as mudanças das estações do ano e percurso do Deus, simbolizado pelo Sol, através dos ciclos sazonais. As estações variam de data conforme o hemisfério onde se está, certo? É o mesmo caso, portanto. Alguns grupos wiccanos brasileiros celebram a Roda do Ano pelas datas do Hemisfério Norte, seja por tradição ou por egrégora, mas seguindo curso das estações inversamente ao que se vivencia no Brasil; outros preferem seguir as estações corretamente, "invertendo" as datas de acordo com os solstícios e equinócios do Hemisfério Sul... Isso, então, varia pela escolha do grupo ou do praticante solitário.

Uma vez ouvi a participação em vídeo de Agathos Athenodoros, da Tradição Caminho das Sombras, e ele explicava dessa forma "Astrologicamente, a eclíptica é a mesma independente do lugar do hemisfério, norte ou sul. A eclíptica é definida como a circunferência imaginária correspondente à trajetória aparente do Sol na esfera celeste. Ou seja, o sol entrará no signo de Áries no que convencionamos chamar de Ostara no hemisfério Norte, mas isso não mudará se você estiver no Hemisfério Sul.".

Eu concordo com ele, mas não creio que isso defina os sabás, define na verdade quais as datas importantes existentes. Em qual sentido você passará por elas, isso é motivo de muito estudo e auto-análise.



Para informação, segue uma tabela básica das datas de comemoração de cada sabá em 2012:



Qual o correto?

Seguir pelo calendário do Hemisfério Norte ou do Sul?
Bom, não "correto", na verdade. Se você faz parte de algum coven, procure perguntar a sua sacerdotisa ou sacerdote como é feito por eles e o porquê de ser feito desta forma, para que você possa entender a escolha do grupo. Se você estiver em algum tipo de grupo de estudos, por exemplo, procure conversar com seus amigos sobre qual seria a melhor opção; e, por fim, se você ainda for uma bruxa
"solitária" (não gosto muito deste termo, mas vamos usá-lo para um melhor entendimento) tente ver como se estabelecem as estações para você, como você SENTE a Roda do Ano girar...


Exercício sugerido

Para sentir - e entender! - como é a energia de cada um dos oito sabás, um exercício prático que sugiro aos neófitos que conheço é o viver a Roda do Ano em um dia. Consiste em encaixá-los de acordo com o ciclo do Sol durante um dia inteiro, começando por Yule ao nascer do Sol e terminando com Samhain ao cair da noite. Você irá vivenciar junto ao Sol toda a sua vida, morte e renascimento, e vai ficar mais fácil de entender sobre as épocas da Roda do Ano.
- E você? Como você se sente AGORA? Em algum momento do recomeço em Yule para o crescimento pessoal e força que ocorrerá em Candlemas? Ou no momento de claridade e luz, e de energização para os projetos que brotaram  em Lughnasadh? Avalie e use isso para definir como você seguiria pela Roda do Ano.


Para se ter uma idéia de como isso se modifica de uma pessoa e/ou grupo para o outro, cliquem aqui e vejam o vídeo-coluna "O Mundo Pagão" produzido pelo grupo Espiral das Bacantes.

 
Espero com este texto ter ajudado, tanto a Mariana como a todos. Qualquer dúvida fique à vontade para entrar em contato, certo?
E para quem quiser mandar perguntas, saber de dicas e/ou explicações sobre assuntos diversos da Wicca e da magia em si, é só escrever para mim!

Beijo-estrela,

Por Aysel Gülbarg [Chris Wolf],
 originalmente publicado em 04.01.12
© Todos os direitos reservados.

Equilibrando os chakras com a Fitoaromaterapia

¬ Saiba quais ervas você pode usar para equilibrar seus centros energéticos


O uso de ervas, plantas e aromas é a forma mais antiga e fundamental de medicina da Terra, e tem sido feito pela população mundial de forma muito significativa nos últimos tempos. As ervas e plantas são usadas desde a Antiguidade para os mais diversos fins e sob os mais diversos meios; já os óleos essenciais naturais são compostos aromáticos voláteis e atuam também de várias maneiras no nosso organismo, física e psicologicamente.

São inúmeras as formas de utilização conhecidas e atestadas da Fitoaromaterapia nos dias de hoje, mas em sua grande maioria elas são subdivididas pelo uso olfativo (inalação), uso cutâneo (absorção) e uso interno (ingestão). A Fitoaromaterapia trabalha seu corpo de uma maneira natural e holística, tendo por objetivo auxiliar o ser humano no tratamento de determinados problemas de saúde ao nível físico, emocional, mental e espiritual. Tantos os óleos essenciais como as ervas utilizadas atuam no corpo gentilmente, restaurando nossas energias curativas e proporcionando o balanceamento entre corpo, mente e espírito.

A Fitoaromaterapia completa as outras terapias, tanto as convencionais ou alternativas, que buscam a cura do ser em sua totalidade, atuando de forma simples e direta no corpo humano. Uma advertência se faz necessária: as plantas e seus os óleos essenciais não devem ser usados em bebês e crianças menores de 12 anos. Algumas delas, ainda, tevem ter seu uso controlado durante a gravidez, necessitando da indicação de um fitoaromaterapeuta.

Usada com a terapia chákrica, a Fitoaromaterapia pode auxiliar no balanceamento e equilíbrio de nossos centros energéticos e, assim sendo, de nós mesmos. Para saber um pouco mais sobre os sete chakras principais e seus atributos e influências, clique aqui e leia a matéria deste mês, que nos mostra como este eficaz sistema também pode auxiliar no caminho mágico. Conheça abaixo alguns "coringas" fitoaromaterápicos que podem ser usados em cada um dos chakras principais:


Chakra Básico
ARTEMÍSIA [Artemisia Vulgaris]

A artemísia recebeu o nome em homenagem à deusa grega Ártemis (ou Diana, para os romanos), a protetora das mulheres "virgens" - no sentido antigo da palavra, uma mulher que pertence a si mesma. Foi também associada à proteção das parturientes. A planta possui desde a Antigüidade a reputação de regular os ciclos menstruais femininos e era considerada também uma planta mágica, à qual se conferiam poderes psíquicos. Psicoemocionalmente, a artemísia atua na emoção, na mente e nos sonhos e dá alento, ânimo e força a quem a trouxer consigo junto do corpo, como em um amuleto. Bebida junto ao vinho branco, tira o cansaço de quem a ingere. É importante lembrar que, em doses elevadas, a artemísia é abortiva.

A artemísia deve ser usada por pessoas que constantemente precisam de uma limpeza energética e quando há necessidade de uma limpeza profunda de toxinas físicas e energéticas. Um dica: por estar ligada as forças da Terra, que trazem firmeza e sustentação, quando for fazer uma longa caminhada experimente colocar algumas fibras de artemísia em seu calçado: verá que se desenvolve com mais leveza e quase não se cansa! Outras dicas: os escalda-pés de artemísia evitam doenças renais e, para quem sofre da coluna, nada melhor do que um bom banho de imersão com bastante artemísia.

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Chakra Esplênico
JASMIM [Jasminum officinalis]

O jasmim é um lindo arbusto florido, cuja perfume é bem marcante. Existem cerca de 200 tipos de jasmim, planta originária da região do Himalaia e sendo cultivada principalmente na China, Índia, França e região mediterrânea. De inúmeras cores, a variedade de flores brancas é a mais usada para fins medicinais. Utilizado há milênios, desde a antiga Arábia, o jasmim é considerado afrodisíaco. Seu perfume doce e envolvente inspirava ardentes canções dos poetas árabes e era considerado insdispensável pelas mulheres dos haréns dos sultões. Na Índia, representa o amor desde os tempos mais remotos; ainda hoje é uma flor muito usada nas grinaldas nupciais.

Magicamente, o jasmim é o símbolo da Lua e dos mistérios da noite e é extremamente útil para a sexualidade e para o amor, sendo considerado um aroma maravilhosamente evocativo. Na forma de amuleto, suas fibras tem o poder de preservar os amores. Seu óleo essencial pode ser usado tanto em homens como em mulheres que buscam a de resolução de distúrbios sexuais e a superar a falta de confiança sexual, e suas propriedades afrodisíacas podem ajudar tanto na impotência como na frigidez.

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Chakra Plexo Solar
JUNÍPERO (ZIMBRO) [Juniperus communis]

O junípero ou zimbro é uma árvore pequena, cujas bagas são esmagadas e, a partir disso, o óleo é destilado a vapor. É o principal óleo essencial purificador usado para a massagem e é ideal para limpar os bloqueios do Chakra do Plexo Solar. O junípero realmente limpa o corpo, age quase como um tônico e ajuda na digestão. A título de curiosidade, ele é o ingrediente aromatizante do gim - sendo assim, a expressão "gim-tônica" foi plenamente adequada! Seu uso, entretanto, deve ser evitado durante a gravidez ou em pessoas com problemas renais.

No passado, o junípero foi largamente utilizado como desinfetante corporal em tempos de epidemias e era considerado uma planta mágica, sendo queimado para afastar os maus espíritos e os animais selvagens. Até hoje, pode e deve ser usado em composições de amuletos de proteção, purificação e cura. É o óleo clássico para desintoxicação de mente e corpo; é depurativo, com afinidade especial com o sistema excretório. Robert Tisserand, fundador da primeira organização dedicada à pesquisa e ao ensinamento da arte e da prática da aromaterapia, diz que "considerando sua toxicidade relativamente baixa, o junípero é um remédio marcadamente eficaz e versátil, sem contra-indicações. Deverá ser usado em estados caracterizados por resfriados, ansiedade, tremor, fraqueza e languidez".

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Chakra Cardíaco
VERBENA [Verbena Officinalis]

A verbena é um pequeno arbusto de folhagem abundante. O nome "verbena" é oriundo de uma palavra romana para designar plantas usadas em sacrifícios, isso porque ela sempre foi ligada à magia e a encantamentos. Além dessa conotação, também era tida como planta afrodisíaca. Seu nome em inglês, "vervain", deriva da palavra céltica "ferfaen", que significa 'tirar fora uma pedra', em alusão aos seus efeitos medicinais sobre pedra nos rins.

A verbena produz um óleo essencial muito agradável, que acrescenta uma fragância fresca e cítrica a qualquer combinação; seu uso mais indicado é em difusores. Ela também é um dos principais ingredientes de feitiços amorosos e de proteção. Suas folhas secas, transformadas em pó e salpicadas em volta da casa ou na roupa, trazem paz e harmonia.

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Chakra Laríngeo
ALECRIM [Rosmarinus officinalis]

O alecrim atua na comunicação pois traz autoconfiança, organização e planejamento. Ele não se restringe ao local da garganta: também ativa e revitaliza todo o plano mental, desenvolvendo a autocrítica, a programação e a conscientização da vida material e social. Desde muito tempo é usado para reanimar, fortalecer e dar coragem, estimulando bons pensamentos. Sabe-se que foi usada por estudantes gregos em forma de grinalda, para melhorar sua memória quando se preparavam para exames.

No plano espiritual, o alecrim promove a limpeza e restaura as habilidades criativas da autoajuda e da autocura. Antes de consultar qualquer oráculo, devem se queimar folhas secas de alecrim e aspirar sua fumaça: a leitura do oráculo virá mais clara e a sua intuição, por sua vez, estará intensamente ativada. No plano físico, o alecrim fresco é excelente para infusões de chá quente, e o óleo essencial da planta é recomendado para inalações, mas não se deve usar nem uma forma nem em outra em casos de gravidez e de hipertensão.

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Chakra Frontal
MANJERICÃO [Ocimum basilicum]

Erva aromática muito usada na cozinha italiana, antigamente o manjericão era pulverizado e aspirado pelo nariz. Vaporizar seu óleo essencial é excelente para limpar a cabeça e dar força, ajudando a equilibrar os chakras da cabeça. É um óleo útil em misturas para encorajar a felicidade e a paz, uma vez que ele estimula a mente consciente.

Era muito valorizado nos tempos medievais: eficaz para distúrbios nervosos, memória fraca, falta de concentração e dores de cabeça causadas por congestão. O chá de manjericão é recomendado para tornar sóbrio alguém em estado de embriaguez leve, clareando a mente. O manjericão estimula a clareza de raciocínio e a sentir plenamente as sensações sutis do dia-a-dia, aliviando a mente e o coração conturbados.

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Chakra Coronário
ALFAZEMA [Lavandula officinalis]

Muito usado em banhos, a alfazema é uma das mais úteis e versáteis ervas que fornecem óleos essenciais para terapêutica. Refrescante e purificador, é incluído em fórmulas de saúde, amor e paz. É recomendado para todos os males da cabeça, cérebro  e nervos. Muitas gotas podem ser adicionadas sem problemas na água do banho ou a óleo de massagem e usadas em estado puro na pele, como perfume.

As flores da alfazema na forma de incenso propiciam sono tranqüilo. Se o ambiente da casa estiver tomado pela depressão, salpique gotas de água de alfazema no chão e queime suas fibras. Passe-o no rosto ou borrife-o no quarto para neutralizar a má influência da insônia, das infecções respiratórias, das alergias, dos desmaios, das dores de cabeça, das enxaquecas, da gripe, da histeria, das tensões...


Por Aysel Gülbarg [Chris Wolf],
 originalmente publicado em 31.08.11
© Todos os direitos reservados.

Chakras: centros de energia e poder

¬ Um eficaz sistema de auxílio também no caminho mágico
 


É de conhecimento energético e holístico que no interior do nosso corpo existem importantes centros energéticos. Através deles a energia cósmica (a força da vida) pulsa, penetra e chega até nós. Esses centros são chamados de chakras, termo em sânscrito que significa ‘roda’ ou ‘disco’. São muitos os chakras que permeiam nosso corpo, porém existem sete chakras principais, que se estendem pela coluna vertebral através do canal central chamado de Sushumna: é por este canal central que a energia flui, no sentido do cóccix à cabeça e retorna, gerando os padrões da aura humana. Não é de se espantar, portanto, que estes pequenos redemoinhos energéticos sejam hoje utilizados em diversas terapias holísticas para ativar e alimentar o processo de cura, da auto-estima, do amor-próprio e do equilíbrio, dentre outras coisas.

Os milenares textos indianos chamados de 'Vedas' contêm os mais antigos registros sobre os chakras de que se tem notícia. Quando os Vedas foram escritos, o Yoga já sistematizava o conhecimento e o trabalho energético sobre os chakras e os 'vaidyas', os médicos indianos, já utilizavam este sistema para medicar e cuidar de seus pacientes através da Ayurveda - o "Conhecimento da Vida" ou o "Segredo da Longevidade". A linha-mestre da terapêutica ayurvédica é o indivíduo como um todo, tratando-o de forma holística, indissociável de corpo, mente e meio ambiente. Para a medicina ayurvédica o fundamental é que o tratamento se adapte ao indivíduo - e não ao contrário! - e que a busca da saúde siga o caminho do equilíbrio do indivíduo com sua rotina de vida.

Do equilíbrio e da Magia
 

Ter um chakra bloqueado ou super estimulado? Manter o equilíbrio é a chave: tanto o excesso energético como a falta podem trazer inúmeros problemas físicos e  psico-emocionais. Também no dia-a-dia estamos sujeitos ao desequilíbrio causado por estímulos externos que nos afetam diretamente. A própria energia vital por si só é intensa e os chakras são os instrumentos através dos quais essa intensidade é recebida, processada e reduzida ou amplificada para o que precisamos. Cada um deles possui suas freqüências, cores e vibrações específicas para suas harmonizações: as freqüências de energia de cor roxo, azuis e verde são mais frias e com vibrações mais rápidas, lidando com o nosso lado mental; enquanto que os níveis amarelo, cor de laranja e vermelho se tornam gradualmente mais quentes e lentos, lidando com o nosso lado mais instintivo.

No que diz respeito ao caminho mágico, as diversas tradições existentes, muitas vezes, chamam os chakras de 'centros de poder' ou 'energéticos'; para outros, eles são chamados de 'rodas energéticas' ou 'da vida', mas a grande maioria utiliza a nomenclatura indiana. Independente por qual nome eles são chamados, o equilíbrio chákrico é importante também quando se trata da manipulação energética dentro da senda mágica pessoal. Os chakras são poderosos aliados e seu estudo e reconhecimento devem ser levados a sério pelos postulantes da Arte.


Para nós, que lidamos com a Magia e a Arte, os chakras Básico, do Plexo Solar e o Coronário são de extrema importância por nos ajudar, respectivamente, a aterrar as energias recebidas e receber a pura energia da Mãe-Terra; a concentrar a energia para cura, manipulação e/ou realizações no plano etérico, dentre outros; e na conexão com as deidades, respectivamente. Os demais chakras principais também nos auxiliam sem dúvida! Podemos dizer, inclusive, que a unidade energética que os chakras produzem ao estarem equilibrados são um grande trunfo para o trabalho mágico. Para tanto, podemos utilizar das dicas que a medicina ayurvédica nos traz de milênios. A melhora da terapêutica alimentar é a base do tratamento ayurvédico, seguido de outros recursos como, por exemplo: a massagem ayurvédica, a aromaterapia, a fitoterapia, a prática de exercícios respiratórios conhecidos como Pranayama, a musicoterapia e os alongamentos e movimentos orientados como os da Yoga.

Os sete chakras principais


É um longo e frutífero caminho o de quem deseja se aprofundar no estudo dos chakras e usá-lo de forma prática para melhorar a sua qualidade de vida e a dos demais a sua volta. Inúmeros livros sobre o tema já foram escritos, sob as mais diversas óticas - tanto orientais como ocidentais. Para darmos uma breve introdução ao tema, seguem abaixo descrições e algumas importantes correlações dos chakras, todas importantes e não excludentes, e que podem nos auxiliar a lidar com cada um desses importantes centros de poder pessoal.



 
Chakra Básico ou Raiz
Nome em sânscrito: Muladhara
Localização: Região do períneo, na base da coluna
Cor: Vermelho
Elemento: Terra
Sentido: Olfato
Minerais: Magnetita, Rubi, Granada e/ou Heliotrópio - dentre outras
Palavra(s)-chave:  preservação e centralização
Função: Sobrevivência, aterramento
Regência de direito: o direito de ter/estar aqui
Estado interior em plenitude: tranquilidade, segurança, estabilidade
Sentimento contra-producente: Medo
Possíveis disfunções no físico: obesidade, anorexia, dor ciática, constipação- dentre outras
Algumas deidades relacionadas: Brahma, Ganesha, Lakshmi, Gaia, Deméter/Perséfone, Erda, Ereshkigal, Anat, Cerridwen, Hades, Tammuz - dentre outras

Em equilíbrio: Capta as energias da Mãe Terra, estimulando coragem e cura física
Bloqueado: Pode causar impotência sexual, cansaço e desânimo sem motivo
Muito estimulado: Pode provocar o apetite sexual com desgaste e sem motivação

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Chakra Esplênico ou do Baço
Nome em sânscrito: Swadishtana
Localização: Região do Sacro, no baixo-ventre; área dos genitais
Cor: Laranja
Elemento: Água
Sentido: Paladar
Minerais: Cornalina, Pedra da Lua e/ou Coral - dentre outras
Palavra(s)-chave: auto-gratificação, prazeres pessoais
Função: Desejo, sexualidade, prazer
Regência de direito: o direito de sentir
Estado interior em plenitude: Sentimentos apaziguados
Sentimento contra-producente: Culpa
Possíveis disfunções no físico: distúrbios sexuais como impotência ou frigidez, disfunções renais, urinárias e uterinas, dores na região lombar - dentre outras
Algumas deidades relacionadas: Indra, Vishnu, Diana, Iemanjá, Tiamat, Poseidon, Dionísio - dentre outras

Em equilíbrio: Favorece o controle dos sentimentos
Bloqueado: Favorece depressão e insegurança
Muito estimulado: Podem surgir o egoísmo e a indiferença pelos demais

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Chakra Solar ou do Plexo Solar
Nome em sânscrito: Manipura
Localização: Região do Plexo Solar, entre o umbigo e o peitoral
Cor: Amarelo
Elemento: Fogo
Sentido: Visão
Minerais: Âmbar, Topázio, Citrino Amarelo, Quartzo Rutilado - dentre outras
Palavra(s)-chave: definição de si mesmo, projeção energética
Função: Vontade, poder, decisão
Regência de direito: o direito de agir
Estado interior em plenitude: Risos, alegria, raiva
Sentimento contra-producente: Vergonha
Possíveis disfunções no físico: distúrbios digestivos, úlceras, diabetes, hipoglicemia, fadiga crônica, hipertensão - dentre outras
Algumas deidades relacionadas: Surya, Brighid, Atena, Apolo, Amaterasu, Apis - dentre outras

Em equilíbrio: Auxilia na percepção do mundo e no julgamento das energias em volta de si mesmo
Bloqueado: Pode provocar enjôo, medo ou irritação, mau-humor...
Muito estimulado: Propicia o descontrole energético, com perda e/ou desperdício de energia

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Chakra Cardíaco ou do Coração
Nome em sânscrito: Anahata
Localização: Região do peitoral, no centro do peito ou no próprio coração
Cor: Verde (parte física) e Rosa (parte emocional)
Elemento: Ar
Sentido: Tato
Minerais:  Esmeralda, Turmalina, Jade, Quartzo Rosa e Rodocrosita - dentre outras
Palavra(s)-chave:  aceitação pessoal, amor universal
Função: Amor, paz
Regência de direito: o direito de amar e ser amado
Estado interior em plenitude: compaixão, amor
Sentimento contra-producente: Tristeza, Mágoa
Possíveis disfunções no físico: asma, pressão alta, distúrbios cardíacos e pulmonares - dentre outras
Algumas deidades relacionadas:  Krishna, Afrodite, Airmid, Dian Cecht, Ísis, Maat  - dentre outras

Em equilíbrio: Auxilia na movimentação dos sentimentos mútuos
Bloqueado: Propicia depressão, angústia, pontadas no peito, falta de ar..
Muito estimulado: Pode causar doação sem medidas do seu ‘eu’ e/ou carência emocional

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Chakra Laríngeo ou da Garganta
Nome em sânscrito: Vishuddha
Localização: Região laríngea, sobre a garganta
Cor: Azul turquesa
Elemento: Éter, Som
Sentido: Audição
Minerais:  Turquesa, Água-Marinha, Celestita - dentre outras
Palavra(s)-chave: expressão
Função: Comunicação, criatividade
Regência de direito: o direito de falar e ouvir a verdade
Estado interior em plenitude: síntese de idéias em símbolos
Sentimento contra-producente: Mentira
Possíveis disfunções no físico: garganta irritada, torcicolo, resfriados, distúrbios da tireóide, deficiência - dentre outras
Algumas deidades relacionadas: Sarasvati, Hermes, Seshat, Mercúrio, Musas - dentre outras

Em equilíbrio: Auxilia na comunicação clara e objetiva
Bloqueado: Favorece o “engolir sapo”, a introspecção e a incompreensão...
Muito estimulado: Tagarelice que cansa a si mesmo e aos demais; “língua solta” sem medida

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Chakra Frontal ou do Terceiro Olho
Nome em sânscrito: Ajna
Localização:  Região da Testa, mais precisamente no espaço entre as sobrancelhas
Cor: Azul índigo
Elemento: Luz
Sentido: Intuição
Minerais: Lápis-Lázuli, Diamante, Quartzo Herkimer, Safira - dentre outras
Palavra(s)-chave: reflexão, força mental
Função: Visão intuitiva, imaginação
Regência de direito: o direito de ver
Estado interior em plenitude: abertura da mente e melhora da intuição
Sentimento contra-producente: Ilusão
Possíveis disfunções no físico: cegueira, dores de cabeça, pesadelos, tensão ocular, visão borrada - dentre outras
Algumas deidades relacionadas: Shakti, Têmis, Hécate, Tara, Íris - dentre outras

Em equilíbrio: Auxilia a memória, os sentidos e a intuição
Bloqueado: Pode causar dores de cabeça, teimosia, sisudez
Muito estimulado: Pode provocar perda de concentração, de foco; “sonhar demais”, etc...

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Chakra Coronário ou da Coroa
Nome em sânscrito: Sahasrara
Localização: Região do alto da cabeça, algumas fontes o localizam alguns centímetros acima da cabeça
Cor: Violeta ou Branco
Elemento: Pensamento
Sentido: Conexão
Minerais: Ametista, Sugilita, Cristal de Quartzo - dentre outras
Palavra(s)-chave: Auto-conhecimento
Função: compreensão, bem-aventurança
Regência de direito: o direito de saber
Estado interior em plenitude: espiritualidade, canalização, meditação
Sentimento contra-producente: Apego
Possíveis disfunções no físico: depressão, alienação, confusão mental, tédio, apatia, distúrbios de aprendizagem - dentre outras
Algumas deidades relacionadas: Shiva, Zeus, Alá, Nut, Enki, Inanna, Odin - dentre outras

Em equilíbrio: Promove o crer no divino; a fé, a consciência da força maior que nos rege; ativa a mediunidade e a telepatia
Bloqueado: Pode indicar ateísmo e facilitar o ceticismo
Muito estimulado: Pode causar crença cega; facilitar o abuso religioso



Por Aysel Gülbarg [Chris Wolf],
 originalmente publicado em 31.08.11
© Todos os direitos reservados.

Como montar um altar simplificado?

* Por algum tempo escrevi para um site da qual era moderadora sob um pseudônimo, tirando dúvidas enviadas por e-mail para a coluna que se chamava "Bruxa Teteca Responde - Por Trina Tanith". As opiniões expressas eram minhas, portanto trago os textos também para cá e inauguro mais uma aba de temas no bloguito: 


Como montar um altar simplificado?
¬ Organizando um espaço especial em sua casa


Olá, como vão, queridas e queridos? Sou Caterina (Trina) Tanith; para os amigos, Teteca. Muitas pessoas entram em contato para tirar dúvidas sobre magia, querem receitas, dicas e muito mais... Na coluna deste mês, respondo à pergunta feita pelo Antônio, do Rio de Janeiro:
"Oi, eu gostaria de pedir uma ajuda da bruxa Teteca: gostaria muito de ter um altar para mim, mas tenho pouco espaço em casa e não tenho como comprar muitas imagens agora. Como arrumar um espaço simples para servir de altar? O que tem que ter, exatamente, que eu precise mesmo comprar? Valeu!"

 

Exemplo de altar natural
[fonte: Internet]


Bom, vamos falar primeiro dos altares? Descobrir maneiras de honrar nossa conexão com os deuses é algo tão antigo quanto a humanidade! As culturas antigas identificavam o que tinham à mão como itens preciosos para sua sobrevivência, e assim as deificavam: a natureza, a terra cultivada, o mar que dava o alimento, as plantas que curavam... As culturas antigas, portanto, sabiam que suas vidas dependiam da manutenção de um forte vínculo com o que muitos chamam de Mãe Terra. Com o tempo, muitas religiões e cultos se formaram, cada qual com sua liturgia e método, por muitas vezes se adaptando a evolução: antes se vivia 'in natura', agora temos casas, edificações, segurança para o perigo que havia "lá fora"... Obviamente, os templos religiosos ao ar livre foram trocados por construções, e altares foram criados dentro deles para que as deidades continuassem a ser honradas, e para que todos pudessem recorrer a elas sempre que preciso fosse, sem depender de condições climáticas ou de melhor segurança, por exemplo.

O paganismo trouxe de volta a conexão com a natureza 'in loco'. Como pagãos, devemos sempre lembrar e dedicar um tempo para caminhar na natureza, desfrutar de suas dádivas e agradecer-lhe por todas elas. Obviamente, no mundo moderno aonde vivemos, não é possível fazer isso sempre que possível/preciso - uma pena! - e ter um espaço sagrado para se dedicar e honrar aos seus deuses é importante. Aliás, em verdade, fazer um altar não é, necessariamente, um ato religioso ou um ritual pagão somente, mas é uma ação positiva no século XXI, que beneficia a nossa saúde e a nossa conexão corpo-mente-espírito. Por meio dessa conexão trazemos equilíbrio a nós mesmos, nos tornando um ser de coinciência espiritual completa.

Vamos então ver como organizar estes espaços. Nossa religião, em sua essência atual, não carece de equipamentos complexos nem espaços selvagens!.. "Nosso trabalho é com o sutil, com o lado mágico da natureza", como nos diz Rae Beth, uma bruxa solitária natural inglesa. A essa altura, vale lembrar:  o altar é o espaço consagrado por você aos deuses e deusas, e é onde você obviamente irá trabalhar magicamente. Para o altar, itens simples como os mostrados a seguir são válidos e representam muito bem as deidades, aos elementos e seus representantes, a sacralidade de espaço... Os itens "obrigatórios", por assim dizer, são os de trabalho mágico apenas! Então, respondendo a sua segunda pergunta, Antônio, para o altar não é preciso comprar nada de caro ou complexo... Já para o trabalho mágico feito no altar, os itens mágicos pertinentes a um bruxo - estes sim! - devem ser adquiridos ao longo de sua jornada pelo conhecimento e evolução pagã. Podemos falar sobre os instrumentos mágicos numa próxima coluna.

Voltando ao altar, é preciso ter em mente três pontos importantes: o espaço escolhido, o seu aproveitamento e os itens a se colocarem em si. Do espaço escolhido, pergunte-se primeiro, sem levar em conta nenhum problema: existe algum local de sua casa aonde você se sinta bem naturalmente? Se este espaço estiver acessível e puder ser usado como altar, não pense duas vezes! Porém, se não há como usá-lo, procure por um local aonde você possa se recolher e ter tranquilidade, e aonde possa ter certa privacidade, para quem não mora sozinho. Uma mesa pequena, uma cômoda com a parte de cima vaga, até mesmo uma prateleira... Tudo isso pode ser usado para criar o espaço de seu altar.

Sobre o aproveitamento, é importante ressaltar que um altar pagão deve, no mínimo, honrar ao(s) deuses e aos cinco elementos e seus representantes: ar, fogo, terra, água e éter. Quando se está 'in natura', levamos em conta o que há no entorno. Por exemplo, se há um lago ou o mar, representará o elemento água; no caso de uma montanha ou um morro, o elemento terra. Para os locais sem estas referências, assim como para os locais fechados, é costume utilizar as direções/pontos cardeais e suas correspondências seculares feitas pelos alquimistas e místicos: o elemento terra corresponde ao Norte, o elemento ar corresponde ao Leste, o elemento fogo corresponde ao Sul, o elemento água corresponde ao Oeste e o elemento Éter é a vida, é intangível e está em tudo, mas é representado geralmente ao centro do círculo mágico. Para distribuir estes pontos, considere descobrir aonde fica cada ponto cardeal, tendo como referência o local escolhido. Outro ponto importante: convencionalmente, o altar fica sempre virado o máximo possível para o Norte.

Sobre os itens, é importante ter uma representação para cada elemento, disposta logicamente nos locais de seus respectivos pontos cardeais. É de praxe utilizar as mesmas correspondências dos elementos; darei alguns exemplos, para que vocês possam perceber mais ou menos do que estamos falando.

* Para o Norte, então, coloque algum vaso de plantas, ou frutas e grãos da estação, itens de barro ou argila, itens nas cores marrom ou verde.

* Para o Leste, utilize penas, incensários, sinos e itens que possam ser pendurados, e itens nas cores azul claro e amarelo. Os incensos são extremamente bem vindos, mas devem ser usados apenas em locais com ventilação; se não for o seu caso, utilize rechauds que possibilitem a queima segura de óleos essenciais.

* Para o Sul, as velas são adequadas, assim como os locais aonde você as queima, como pires e ou candelabros; os itens podem ter as cores vermelhas e laranjas vivos. Vale lembrar que atenção e cuidado devem estar sempre presentes na queima de velas, certifique-se de que o local é adequado e seguro ao acendê-las.

* Para o Oeste, use pequenos recipientes para colocar água, que pode ser da chuva, de rio ou do mar. Cristais e ágatas, pedras "naturalmente furadas" e itens nas cores azul escuro e branco são bem vindos.

* O Éter está em tudo, e pode ser honrado com a limpeza e aromatização do local: manter seu altar sempre limpo e organizado auxilia na fluição das energias sutis e mantém a beleza do espaço agora sacralizado. Além disso, se houver como, coloque ao centro um recipiente como um caldeirão ou uma panela pequena, representando o útero da Deusa, o espaço de criação, o receptáculo das benesses divinas, o espaço de transformação. Tudo isso, por si só, é o Éter.



 

Algumas considerações:

- Durante as caminhadas em meio à natureza, mantenha os olhos abertos para qualquer dádiva que ela lhe oferecer, por exemplo: sementes com formas incomuns, folhas ou penas que "caiam" perto de você, conchas ou pedras que lhe chamem a atenção... Estes itens podem ir para o seu altar, sem nenhum problema! Nestas caminhadas ou sempre que possível, colha flores ou ervas para dispor em seu altar.

- Não sabe "exatamente" o que dizer ao parar em seu altar? Procure no dia-a-dia, você certamente encontrará. Se leu um texto ou um poema que tem a ver com o momento de sua vida, leia-o em voz alta em seu altar; se pensou em alguma frase ou tem algum dogma pessoal que repita para si mesmo sempre, reverbere-o também de frente a seu altar. Se chegar em frente a ele e, de repente, se ver em silêncio, seja pela paz interior que ele lhe fornece ou porque possa estar com algum sentimento impedindo de falar, apenas acenda sua vela e aguarde, fique em silêncio... Tudo é permitido desde que você saiba perceber a sacralidade do que está fazendo.

 

Lembre-se, um altar é "vivo"! Dedique tempo a ele, limpe-o, enfeite-o, aromatize-o, acenda suas velas, dê-se alguns minutos de seu dia para honrá-lo e honrar também aos deuses, pois ele é um espaço-canal aonde você se conecta com eles e com o divino em si, seja ele exterior, através de imagens e ritos ou interior, através de meditações e momentos introspectivos. Passe algum tempo todos os dias em seu altar, usando-o como espaço especial onde você pode meditar e nutrir a si mesmo.

E para quem quiser mandar perguntas, saber de dicas e/ou explicações sobre assuntos diversos da Wicca e da magia em si, é só escrever para mim!

Beijo-estrela,


Por Aysel Gülbarg [Chris Wolf],
 originalmente publicado em 31.08.11
© Todos os direitos reservados.

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